Conheça o trabalho de busca, resgate e salvamento com cães realizado pelo CBMGO
Para eles, tudo é uma grande aventura. Sem pensar duas vezes, os cães do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) adentram no meio do mato, atravessam morros e córregos, reviram escombros e, ainda, auxiliam na atividade de perícia de incêndio. Atualmente, a Corporação conta com 15 cães e 14 bombeiros militares treinadores em Anápolis, Goiânia, Luziânia e Rio Verde.
E para fazer parte do seleto grupo de salvamento, não bastam ter o faro apurado, os cães precisam ser curiosos, dóceis e brincalhões. Segundo o Sargento Leonardo Dias Soares, membro da equipe de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (BRESC) do 3º Batalhão Bombeiro Militar, em Anápolis, para verificar se os cachorros têm essas características, são submetidos quando filhotes a provas que testam suas capacidades. “Um teste vocacional avalia a socialização do animal com pessoas e ambientes diversos e verifica como se comportam diante de estímulos externos como sons, odores e objetos estranhos. Afinal terão que trabalhar em ambiente de estresse, procurar partículas microscópicas de odor humano, voar em helicópteros e aviões, navegar em embarcações e passar por diversas situações até a chegada do local da ocorrência”, esclarece.
Com relação à escolha dos cães, o Sargento Leonardo Dias Soares explica que os animais podem ser de raças diversas, desde que atendam as necessidades do serviço Bombeiro Militar. “O animal precisa ter porte médio ou grande, ser de raça pura e ser muito ágil, flexível, dócil e brincalhão e, acima de tudo, apresentar resistência física para suportar as dificuldades do trabalho realizado”, conta o Sargento Soares.
Relação de confiança
Como em qualquer trabalho que une um cão e um ser humano, é preciso haver muita cumplicidade entre o bombeiro militar e o cão. Conforme o Sargento Amarildo Pereira Rodrigues, membro da equipe BRESC do 1º Batalhão Bombeiro Militar, em Goiânia, o bombeiro militar que conduz o animal deve conhecê-lo perfeitamente, ser capaz de interpreta-lo, ou seja, estar atento a todas as suas reações. Quanto ao cão, ele explica que deve confiar plenamente em seu treinador, a fim de segui-lo em qualquer lugar, independente das dificuldades com que se deparar no local da ocorrência.
Dedicados à profissão
Os cães vivem nos canis da Corporação, construídos conforme a Norma Operacional nº 6 do CBMGO, e estão sempre prontos a atender uma ocorrência. Treinam todos os dias para fixar o aprendizado e se manterem saudáveis. E como recompensa, adoram receber um pouco de ração, brinquedo e muito afago. A rotina de treinamento e serviços termina quando o cachorro atinge a idade de 8 anos. O cão, então, é doado ao bombeiro que o adestrou ou continua no próprio quartel recebendo cuidado dos bombeiros.
O papel dos cães
O serviço de Busca, Resgate e Salvamento com cães (BRESC) é utilizado no CBMGO desde o ano de 2004 e tem a finalidade de agilizar e potencializar o atendimento do serviço prestado à sociedade. Entre as diversas atividades, os binômios, nome dado a dupla cão e condutor, são empregados nas ocorrências de deslizamento com vítimas soterradas, na busca subaquática com corpos submersos, em incidentes de desabamento de casas, prédios e escombros, em buscas de pessoas perdidas em matas, entre outras ocorrências.
O trabalho realizado por um único cão equivale ao de 30 bombeiros militares, o que diminui a logística da ocorrência e também o tempo de exposição a situações de risco que os profissionais estão sujeitos no ambiente dos incidentes.
Uma das vantagens está na anatomia canina, pois possuem o olfato como o sentido mais importante e aguçado, com cerca de 200 milhões de receptores para odores, enquanto os humanos possuem somente cerca de 5 milhões, ou seja, 40 vezes menos do que os cães. A audição dos cães também é extremamente desenvolvida. Eles são capazes de localizar com precisão a direção da origem do som em apenas 6 centésimos de segundo, e conseguem ouvir o mesmo som a uma distância quatro vezes maior do que um ser humano é capaz.


