REFLEXÕES PSICOLÓGICAS SOBRE O CORONAVÍRUS

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Momentos de crise, como o que estamos vivendo hoje com o Coronavírus, tendem a despertar no ser humano emoções antagônicas, que vão balizando os comportamentos. Uma mesma crise pode ser vivida com diferentes intensidades por diferentes pessoas ou grupos e conforme a crise se agrava os comportamentos vão se aproximando do “modus” cada vez mais primitivo. O médico Austríaco inventor da psicanálise, Sigmund Freud, em seu artigo, “psicologia das massas”, deixa claro que essa espécie de (re)primitivization  é, por assim dizer, um remanescente instintivo mecanismo de defesa do tipo “lutar ou correr”. Diante de tal cenário surgem algumas questões que, creio, valem a pena serem levantadas.

A primeira questão que se erige, é a de saber, qual seria o prejuízo de se agir impulsionado por forças primitivas nesse momento em que se faz necessária uma intensa educação a respeito da biosegurança em todos os níveis da sociedade? Bem, é um tanto quanto óbvio que quando agimos guiados por determinantes primitivos, nós negamos os séculos e séculos de evolução humana para cairmos nas mãos da fortuna ou da tragédia. Ou seja, quando ignoramos o conhecimento humano, a evolução científica e o avanço tecnológico, nós nos assemelhamos novamente a primatas.

 

O que podemos fazer para impedir esse retorno ao estado primitivo de consciência? Uma coisa que temos que entender sobre o primitivismo é que ele se desenvolve muito melhor em cultura de grande ignorância, em organismo de negação do conhecimento. Isso é o que torna essa primitivization tão fecunda. O conhecimento é sempre a melhor vacina para qualquer tipo de doença, o saber é mais poderoso dos antídotos. Como seres evoluídos, devemos acima de tudo buscar o conhecimento, não se esquecendo, é claro, de verificar se as fontes são seguras, sérias e se podem ser comprovadas. O pânico é completamente desnecessário e, o que é pior, o pânico é ineficaz, pois ele não livra as pessoas do mal e tende a embotar o entendimento, a razão, tirando do individuo ou grupo a capacidade de decisão, de escolha e, de ação.

Sendo psicólogo e sendo bombeiro militar, me sinto à vontade para traçar um paralelo entre as duas profissões. Tanto o psicólogo quanto o bombeiro é impulsionado a agir em situações limítrofes, de forma que quando a maioria das pessoas está fugindo de tais situações, nós estamos indo de encontro a elas, quando a maioria está buscando uma saída, nós procuramos formas de entrar, o psicólogo, assim como o bombeiro, olha para as situações ansiogênicas e enxerga as possibilidades, onde o leigo enxergaria apenas as dificuldades. E por que nós psicólogos ou bombeiros possuímos tais características? É a bravura que nos confere estas qualidades? Não, em absoluto! A bravura e a coragem são apenas acessórias. O que nos confere tais predicados é o sem sombra de dúvidas o conhecimento, é a prática guiada pelo estudo minucioso, pela crença na eficácia da técnica e pela confiança inabalável no método. É por ai que passa nossa tranqüilidade e nossa calma em momentos de crise, é pela via do conhecimento, é sempre por ai. Não nos esqueçamos disso!

Texto de: Alessandro Júnio, Al Of BM e Psicólogo no NIAB.

 

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