FALANDO DE SUICÍDIO E SUA PREVENÇÃO

O Suicídio é uma das maiores causas de mortalidade ao redor do mundo, sobretudo entre indivíduos jovens na faixa entre 15 e 29 anos diz o relatório da organização mundial da saúde (OMS). É o desfecho trágico de um fenômeno complexo e multidimensional, decorrente da interação de diversos fatores dentre estes encontramos fatores sociais, psicológicos e até genéticos.
Podemos citar como exemplo de fatores sociais, as dificuldades financeiras e as desigualdades sociais. Para se ter uma ideia, 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda, ao contrário do que muitos pensam.
Dentre os fatores psicológicos e psiquiátricos associados ao suicídio, a depressão maior e a que mais se destaca. A depressão é caracterizada pelo embotamento da volição, ou seja, da vontade, do humor, é uma condição psicopatológica terrivelmente debilitante, que requer atenção cuidadosa de toda uma rede, formada por profissionais da saúde, por familiares e pela sociedade como um todo. Do ponto de vista do que podemos chamar de “genética do suicídio” encontramos uma grande quantidade de estudos que indicam que a genética tem um papel relevante nas mortes por suicídios. Há muito tempo se sabe que de componentes hereditários relacionados à depressão, porem hoje já se sabe também que apenas 15% dos deprimidos chegam a tentar se suicídio.
A chave para este mistério está no que os especialistas vêm chamando de binômio impulsividade/agressividade que é um traço de personalidade que também tem forte caráter hereditário cuja carga genética é independente daquela associada à depressão. Neste sentido o pesquisador, professor e médico psiquiatra, José Manoel Bertolote, resume bem a questão: “junte na mesma pessoa depressão, impulsividade/agressividade e adversidades da vida e você terá um suicida em potencial.”
Esse quadro se complica ainda mais quando associados à depressão nós temos o abuso de álcool e o uso de outras substâncias psicoativas, porque as alterações mentais decorrentes da combinação dessas comorbidades tornam-se imprevisíveis e geralmente desastrosas. O prognostico nestes casos não são bons e por esse motivo, o atendimento psiquiátrico é fundamental em tais casos que associados a comportamentos suicidas. Porém, como disse anteriormente o suicídio é um fenômeno multidimensional e multifatorial, é por isso que a psiquiatria não deve trabalhar sozinha. A associação do tratamento psiquiátrico com o tratamento psicológico tem demonstrado resultados bem mais abrangentes e duradouros do que o tratamento unidirecional. O tratamento interdisciplinar tem mostrado grande diminuição nas recaídas e nas descompensações psiquiátricas.
Infelizmente, ainda existe muito preconceito em torno do tratamento psiquiátrico e psicológico. Na sociedade contemporânea, há o imperativo da produtividade, da excelência, da perfeição, que impede que as pessoas de tirarem tempo para si. Assim, procurar ajuda psíquica pode ser visto como um sinal de fraqueza, quando na verdade é um ato de coragem.
É preciso estar atentos aos primeiros sinais de alerta que geralmente aparece com falas do tipo:
“Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”
O que todos os estudos sobre o assunto do suicídio são unânimes é que, após estes primeiros sinais, se a pessoa for encaminha um tratamento psicoterápico, ela terá uma grande chance de se recuperar e mudar as perspectivas para a Vida. Aqui não vale, de forma alguma, a ideia de que: “cão que ladra não morde;” ou a de que: “a pessoa só quer chamar a atenção.”
É preciso levar essa pessoa a sério!
AL OF ADM Alessandro – Psicólogo e Psicanalista do Núcleo Integrado de Atenção Biopsicossocial – NIAB/CSAU